22 de fevereiro de 2015

Os crimes do monograma


Autor:
Sophie Hannah
Género:
Policial
Idioma: Português

Páginas: 320
Editora:
Edições Asa

Ano:
2014
ISBN: 978-989-2328225
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Quando soube, há ano e meio, que Poirot iria "ressuscitar" pela mão de Sophie Hannah, fiquei curiosa. Nunca li nada desta autora, mas adoro Agatha Christie (é uma das minhas autoras favoritas!) e Poirot é o meu detective de eleição. Na altura, não tinha grandes expectativas - até porque Os crimes do monograma só iria ser publicado um ano depois e havia que esperar todo esse tempo -, mas assim que saiu, sabia que tinha que o ler assim que surgisse a oportunidade.

Agatha Christie já vendeu mais de 2 biliões (!) de livros em todo o mundo e o regresso do detective belga foi entregue a uma autora bem sucedida internacionalmente (tem um livro traduzido em português, publicado este ano) e com o aval dado pelos herdeiros da escritora, Poirot, "morto" pela Dama do Crime há 39 anos, voltou para mais um caso.

Sentado no seu café preferido, o detective prepara-se para jantar quando é surpreendido por uma mulher, Jennie, que diz estar prestes a ser assassinada. Mais insólita do que esta afirmação é a sua súplica para que Poirot não investigue o crime, deixando-o perplexo e ansioso por mais informação. Perto dali, o elegante Hotel Bloxham é palco de três assassinatos: os corpos têm os braços junto ao corpo e as palmas das mãos viradas para baixo, e dentro das bocas, encontra-se um botão de punho com o monograma PIJ. Poirot junta-se a Catchpool, detective da Scotland Yard, na investigação do caso.

Os pontos fortes d'Os crimes do monograma são a curiosidade que desperta em avançar, pois queremos saber quem é o cérebro por detrás dos crimes; e a presença de Poirot, claro. Os pontos fracos são a repetição de informação e dos factos (o que acontece pela voz de Catchpool) e, apesar do esforço da autora, não ter conseguido capturar a essência de Poirot.
A história é razoável, mas a presença do nosso amigo belga soa a opcional; fiquei com a impressão de que há demasiadas reviravoltas e pormenores que enfraquecem a história em vez de a tornarem mais complexa (talvez uma tentativa de Sophie Hannah em agradar aos fãs mais puristas; comigo não resultou e não sou purista).

Acabado o livro, não senti que tivesse lido um caso de Poirot, mas um caso com Poirot. Faltaram os "pózinhos" que a autora original sabia recriar como ninguém e que não voltará a acontecer; apesar do entusiasmo inicial ao pegar no livro, percebo que não deveria ter sido feito. Poirot acabou e tentar recriá-lo nunca será a mesma coisa, por mais talentoso que seja o escritor.

Os crimes do monograma salda-se numa experiência agri-doce: traz Poirot de volta mas não é Poirot; sabemos que é uma cópia e sentimos que o é. Para quem leu todos os casos do "cabeça d´ovo", é uma alegria que se desvanece ao fim de alguns capítulos. Continuamos a ler porque como policial é interessante, o que já é positivo.

Se houver outro livro, estou bastante inclinada a não o ler.

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(mediano/razoável)

8 de fevereiro de 2015

Hotel du Lac


Autor: Anita Brookner
Género:
Romance
Idioma: Português

Páginas: 200
Editora:
Bertrand Editora

Ano:
2011
ISBN: 978-972-2522694
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Edith Hope é uma escritora que se instala num selectivo hotel suiço depois de um acontecimento marcante. Forçada ao exílio pelos amigos mais próximos, que esperam que ela volte depois de "recuperar o juízo", Edith passa os dias em calmo isolamento, trabalhando num livro.

O hotel está na sua época baixa, antes de encerrar durante os meses de Inverno, e os hóspedes são poucos. Quando não está a escrever, Edith dá passeios solitários entre o hotel e a vila mais próxima, contempla o lago e observa a rotina dos restantes hóspedes.

Vamos então percebendo que o hotel é o cenário das mais variadas dinâmicas, onde cada um interpreta o seu papel, desde as snobs Pusey à reservada Madame de Bonneuil, passando pela extravagante Monica (e a sua cadela Kiki) e pelo mundano senhor Neville.

Pouco a pouco, vamos percebendo o que aconteceu a Edith e por que é que ela é como é: uma mulher apagada, tímida, que tem sempre em conta a opinião dos outros. E ressalvo o pouco a pouco porque Hotel du Lac tem um ritmo indolente e bucólico.

Apesar de bem escrito, a história é relativamente banal, embora demoremos a perceber isso. Este livro ganhou o Booker Prize em 1984 e eu esperava um livro melhor. Achei-o demasiado vagaroso e as personagens pouco nítidas, como se toda a acção fosse como um sonho. Vago, vago, vago.

De vez em quando, a narradora surpreende-nos com um comentário mais perspicaz, antes de se diluir na mediocridade por que pauta os seus dias no hotel. Acredito que o intento seria esse e tem a sua mestria na forma como está feito (por Anita Brookner), mas quando penso neste livro, apetece-me bocejar. Nem o facto de as personagens secundárias se irem revelando torna a história mais interessante, pois é tudo muito insonso.

Hotel du Lac é subtil, tão subtil que o seu efeito passa rapidamente e acredito que o esquecerei rapidamente. Edith Hope não é uma personagem marcante, e a sua viagem de auto-descoberta não o chega a ser, na minha opinião e não querendo desvendar nada, pois tudo o que ela fazia (antes do exílio no hotel) é o que a define como pessoa e o final é apenas a confirmação de que sempre foi, o que mostra que uma viagem de auto-descoberta pode não levar a lado algum senão ao ponto de partida.

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(mediano/razoável)
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