28 de dezembro de 2012

Adeus princesa



Autor: Clara Pinto Correia
Género:
Ficção
Idioma: Português
Editora: Clube do Autor

Páginas:
332


Avaliação:
***
(mediano)

Estava bastante curiosa em ler Adeus princesa, de Clara Pinto Correia. Classificado como um livro policial e com inúmeras menções positivas na contra-capa, a história tem ainda o condão de se passar no Alentejo, região que me é muito querida.

Um dos romances de topo dos anos 80, conta a história da franzina e não muito bonita Mitó, principal suspeita da morte do namorado, Helmut, um mecânico alemão da Base Aérea de Beja. O jornalista Joaquim Peixoto e o fotógrafo Sebastião Curto viajam de Lisboa para recolher informações e testemunhos sobre o caso, apenas para descobrir que os habitantes estão mais esperançados que a publicidade ajude a resolver os problemas que afligem a região, do que interessados na resolução do crime.


«Auf Wiedersehen, prinzessin.»

A partir do assassinato do alemão Helmut, a autora desenvolve a história, cujo foco central é o Alentejo rural. As personagens são figuras típicas com conflitos políticos e sociais, como o pai de Mitó, dirigente do Centro de Trabalho de Baleizão e perfil soviético, e o chefe de Polícia, Mariano Larguinho, queem nos visitantes lisboetas a esperança de ver os problemas da província falados, e talvez solucionados, nas páginas da revista.



No rescaldo da Reforma Agrária, os proprietários foram expulsos e os camponeses ocuparam-lhes as terras e formaram cooperativas. Dez anos mais tarde, altura em que se passa a acção, este sonho já se desfez: as cooperativas agrícolas estão a desaparecer, a sociedade está a decair, as mercearias deixaram de vender fiado, os jovens só pensam em farra e drogas…

Apesar da caracterização social bem humorada e da acção dinâmica, Adeus princesa não me conseguiu envolver. Como policial, é fraquito, mas cedo descobrimos que a identidade do assassino é o que menos importa. Como poderia ser, diante da delinquência juvenil, das drogas, da ausência de perspectivas no futuro dos jovens, do desemprego e das consequências nefastas da reforma agrária no Alentejo retratado pela autora? A sua pertinência actual é desconcertante (a componente social é muito bem trabalhada) mas como leitura de entretenimento, simplesmente não me "agarrou".

13 de dezembro de 2012

Sangue Oculto (saga Sangue Fresco #4)




Autor: Charlaine Harris
Género:
Fantasia Urbana

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 272
ISBN:  978-9-89-63717957-1
Título original: Dead to the world

Avaliação: ***** (muito bom)

Sangue Oculto é o quarto livro da saga Sangue Fresco, que narra as aventuras de Sookie Stackhouse, uma empregada de mesa telepata que descobre um dia que o mundo está pejado de vampiros, lobisomens e outras criaturas mágicas. Isso não só torna a sua existência mais excitante como perigosa, porque a sua capacidade de ler pensamentos alheios tornam-na apetecível para os seres sobrenaturais, que insistem em pedir-lhe ajuda.

A história de Sangue Oculto retoma a acção do livro anterior. Apesar da nossa narradora, Sookie, fazer sempre um "apanhado" dos eventos passados, acho que seguir a numeração dos livros é recomendável. Neste livro, Sookie está triste com o fim da relação amorosa com o vampiro Bill, o seu primeiro namorado a sério. Foi a jovem que terminou o namoro, depois da traição de Bill com a sua criadora, Lorena. Como qualquer outra pessoa, apesar de abatida, Sookie tenta seguir com o dia a dia da forma mais normal possível, concentrando-se no trabalho e nos amigos.


Até ao dia em que, no regresso a casa uma noite, se depara com um vampiro nu e desorientado à berma da estrada. Eric. O vampiro está longe da sua forma de ser calculista e sedutora; foi enfeitiçado e não se lembra de nada, tornando-se vulnerável para os seus inimigos. Sookie decide ajudá-lo e a sua investigação leva-a a uma batalha perigosa entre bruxas, vampiros e lobisomens.

Como a autora já nos habituou, a história tem uma excelente dinâmica e é envolvente. Não falta uma boa pitada de mistério e intriga (há sempre um assassino a descobrir em cada volume).


Creio que é esse o segredo do enorme sucesso dos livros: o tema vampírico tratado de uma forma diferente, uma dose generosa de romance, sexo e mistério, com uma carismática Sookie como mestre de cerimónias; Sangue Fresco é uma série absolutamente viciante.

30 de novembro de 2012

Clube de Sangue (saga Sangue Fresco #3)


Autor: Charlaine Harris
Género:
Fantasia Urbana

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 256
ISBN:  978-9-89-637157-9
Título original: Club Dead

Avaliação: ***** (muito bom)


Clube de Sangue é o terceiro livro das aventuras de Sookie Stackhouse, uma empregada de mesa telepata que (re)descobre a cada dia que o mundo em que vive está longe de ser normal, pejado que está de vampiros, lobisomens e outras criaturas mágicas. Isso não só torna a sua existência mais excitante como perigosa, porque a sua capacidade de ler pensamentos alheios tornam-na apetecível para os seres sobrenaturais, que insistem em pedir-lhe ajuda.

Desta vez, porém, Sookie não tem outra escolha senão envolver-se em mais um embróglio. O namorado (vampiro) Bill partiu numa missão secreta sem lhe dar grandes explicações e Sookie vê-se a braços com problemas financeiros. Quando Eric lhe pede ajuda para encontrar Bill, que entretanto desapareceu, Sookie não pensa duas vezes em ir para Jackson, onde ele foi visto pela última vez. A missão é investigar e "ouvir" os habitués de um exclusivo clube nocturno frequentado por criaturas sobrenaturais. A seu lado está Alcide, um tipo bem parecido que é também um lobisomem, cujo objectivo é protegê-la se as coisas derem para o torto, o que inevitavelmente acontece (iupi!).


O mundo de Sookie continua tão apelativo como sempre, com a diferença que este livro é um pouco mais sério e "pesado" que os anteriores, onde acontecem situações que obrigam as personagens (e a nossa heroína) a pôr várias coisas em perspectiva.

Clube de Sangue tem uma acção explosiva, o bom-humor característico da narradora e muito suspense. Sookie cresce como personagem e isso torna-a muito mais interessante e credível. A adição de novas personagens aguça a história e isso resulta numa leitura (ainda mais) compulsiva, naquele que foi o melhor dos 3 livros que li até agora. Venha o próximo.

27 de novembro de 2012

Concurso Literário Alfarroba: Amores Contados


Até 15 de Fevereiro de 2013, envie a sua história de amor num máximo de 6000 palavras. As 5 melhores serão editadas em livro pela Alfarroba.

Para detalhes, informações e regulamento:
e-mail: geral@alfarroba.com.pt | telefone: 210 998 223

 
Boa sorte!


17 de novembro de 2012

The Ritual

Autor: Adam Nevill
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Pan Books
Páginas: 418
ISBN:  978-0330514972

Avaliação: **** (bom)

The Ritual é o primeiro livro que leio de Adam Nevill, um dos novos autores europeus de terror sobrenatural. Natural de Birmingham, Nevill estreou-se em 2008 com Banquet for the Damned e, 4 livros depois, conta com duas nomeações ao British Fantasy Society Award.

Sinceramente, não ligo a prémios nem a nomeações, mas perante um livro de mais de 400 páginas de um autor que nunca tinha ouvido falar, a nomeação ao prémio (que já distinguiu autores que gosto) foi o critério decisivo para trazer este livro.

The Ritual segue a história de quatro amigos que, sendo inseparáveis na universidade, decidem juntar-se após vários anos sem se verem. O destino é a Suécia e o plano é acamparem, percorrerem os trilhos locais e usufruírem da natureza e da companhia uns dos outros, redescobrindo os laços que os uniram antes.

Sem perder tempo, o livro começa com os amigos perdidos na floresta ao segundo dia de caminhada. A tensão começa a fazer-se sentir e os capítulos seguintes fazem uma retrospectiva do que os levou àquela situação. O leitor começa a perceber a ingenuidade e ambição do combinado; o nosso narrador, Luke, não se coíbe de partilhar o que lhe vai na alma.

Segundo ele, o problema começou com a escolha do programa. Dos quatro, apenas ele e Hutch (o mentor da viagem e o mais atlético dos quatro) estão minimamente preparados para a demanda física. Os outros dois amigos são trintões sedentários com peso a mais que se arrastam desde o primeiro dia. Apesar do reencontro ter sido preparado com meses de avanço e todos terem feito o compromisso de se prepararem fisicamente, apenas dois deles conseguem aguentar a estafa ao ar livre. Quando se perdem, as discussões passam a acusações e quando se deparam com um animal de grande porte pendurado numa árvore com as tripas de fora, começam a sentir-se ameaçados num sítio cada vez mais hostil (o frio, a chuva, o racionamento de água e comida).

A racionalidade e a calma dão lugar ao pânico e à medida que a acção avança, são revelados outros pormenores inquietantes. O livro é atmosférico, assustador em algumas partes, o que é bom. É interessante assistir como os quatro amigos se redescobrem como estranhos mas têm de se unir para sobreviver. Mas esta não é uma história onde os personagens se viram uns contra os outros. Aqui há uma mistura de Blair Witch e mitologia nórdica, onde não faltam florestas escuras, igrejas e cabanas abandonadas e muitas ossadas e runas; diversidade não falta e perigo também não, por isso a união é a chave, o que não se revelará nada fácil.

The Ritual é uma leitura viciante mas muito cansativa. Nevill arrasta demasiado a primeira parte da história e há muita repetição; revisitamos vezes sem conta noites chuvosas e privação de mantimentos, discussões e recriminações, choro e pânico. A tensão, apesar de bem explorada, é esticada até ao enjoo. 

A segunda parte do livro, com uma reviravolta interessante, é mais dinâmica mas não menos desgastante. São páginas e páginas de cenários carregados de descrições atmosféricas que pedem intervalo para descansar de tanta informação. Nevill criou um terror adulto e bem elaborado, algo raro nos livros de hoje, mas o livro peca por ser demasiado longo e chegamos a um ponto onde só queremos chegar ao fim porque simplesmente precisamos de um desfecho.

Certamente que lerei mais livros deste autor, que ainda não se encontra editado em Portugal. Porém, sei que não relerei The Ritual, a bem da minha sanidade.

8 de novembro de 2012

Cycle of the Werewolf

Autor: Stephen King
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: New English Library
Páginas: 128
ISBN: 978-04500058783



Avaliação:
*** (mediano)

Cycle of the Werewolf foi editado nos anos 80, em pleno boom do cinema temático sobre lobisomens (The Company of Wolves, The Howling, An American werewolf in London). O mestre da literatura de terror não ficou indiferente e lançou este livro, uma colaboração com o ilustrador Berni Wrightson.

O livro tem cento e poucas páginas e devora-se numa jornada diária nos transportes para o trabalho (em menos de 2 horas). Tem 12 capítulos, um por cada mês do ano. Li no site do autor que o projecto inicial era para ser um calendário, mas cresceu, manteve as ilustrações e converteu-se num mistério: quem será o habitante de Tarker's Mill que se transforma num lobisomem nas noites de lua cheia e devora os seus habitantes?

O que podemos contar num livro escrito por King? A habitual caracterização cuidada das personagens e uma reviravolta que pretende ser surpreendente... não o sendo; na realidade, a identidade da besta é algo previsível. Porém, a história lê-se com interesse e gostei das ilustrações, que retratam os ataques mensais do lobisomem; requisitei o livro da biblioteca municipal,
por isso o saldo é positivo.

Cycle of the Werewolf foi adaptado ao cinema pouco tempo depois da sua edição; em Portugal, o livro tem o título d'O segredo da bala de prata
.

28 de outubro de 2012

Dívida de Sangue (Saga Sangue Fresco #2)


Autor: Charlaine Harris
Género:
Fantasia Urbana

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 256
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637137-1
Título original: Living dead in Dallas

Avaliação: **** (bom)


Já tinha sido avisada de que a saga Sangue Fresco é viciante. Realmente, têm sido leituras divertidas e quase impossíveis de pôr de lado. O primeiro livro, Sangue Fresco, faz uma introdução da história de Sookie e do mundo onde vive, que é igual ao nosso com a particularidade dos vampiros terem assumido a sua existência e quererem viver em paz entre os seres humanos. Uns mais em paz do que outros, entenda-se.

Sookie continua apaixonada por Bill, o seu primeiro namorado a sério. Ninguém estranhou muito pois a jovem sempre foi tida como excêntrica. Afinal, Sookie consegue ler os pensamentos alheios, um "talento" acerca do qual todos cochicham mas ninguém fala abertamente, nem mesmo o irmão de Sookie. Tida como esquisita entre os humanos, a jovem descobre-se bastante apreciada entre os vampiros, que vêem a sua telepatia como uma vantagem e uma forma de resolver alguns dos seus problemas.

«O meu «dom» não agradava a ninguém. Ninguém queria ser alvo dele. Mas todos desejavam que descobrisse algo para seu benefício, sem pensarem no que sentiria ao vasculhar os pensamentos maioritariamente desagradáveis e irrelevantes (...) em busca de informação pertinenteNeste segundo livro, um amigo de Sookie é assassinado e uma estranha criatura mitológica (têm de ler para saber) ronda Bon Temps. Entretanto, Sookie é forçada a ajudar os vampiros e a usar os seus poderes telepáticos para encontrar um dos seus. A sua condição é que nenhum humano deve ser morto no decorrer das suas descobertas. Mas os vampiros são difíceis de manter na ordem e basta um pequeno deslize para que tudo comece a correr mal... e ainda bem, porque é isso que torna a história interessante.

Sookie é uma heroína engraçada e muito espontânea. O facto de ser a narradora da história significa que tudo é contado e analisado do seu ponto de vista, o que torna tudo mais aliciante. Afinal, Sookie é desenrascada mas genuína e consciente das suas limitações. As observações que faz tornam-na uma personagem deliciosa e muito fácil de gostar. O livro tem algumas coisas que gosto menos, como algumas nuances juvenis que pontuam as acções e diálogo entre umas quantas personagens. Porém, o livro como um todo é bom, as personagens são sólidas e a acção é deliciosa de se seguir.

Mais uma vez, a temporada 2 da série não seguiu a acção do livro. Isso não é negativo, pois permite ler os livros e acompanhar a série sem saber claramente o desfecho. Porém, aconselho a leitura dos livros antes de ver a série, simplesmente porque é mais divertido de imaginar

A editora tem disponível um excerto da obra no site (54 páginas), que recomendo a quem quer seguir as aventuras de Sookie
.

20 de outubro de 2012

Sangue Fresco (Saga Sangue Fresco #1)



Autor: Charlaine Harris
Género:
Fantasia Urbana

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 272
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637118-0
Título original: Dead until dark

Avaliação: **** (bom)


Finalmente comecei a ler a saga Sangue Fresco, uma leitura tantas vezes adiada. Depois de ver as duas primeiras temporadas da série e ter gostado, sabia que tinha de ler os livros mas havia sempre um que lhe passava à frente. Até que recentemente me decidi a pegar nas aventuras de Sookie Stackhouse (já não era sem tempo, chiça!) e tenho gostado bastante.

Sookie é uma loura despachada de 25 anos e a nossa narradora de serviço. Admite a sua "deficiência/dom" logo no início do livro: o facto de conseguir ler os pensamentos alheios faz com que preste pouca atenção ao que a rodeia, o que a faz passar por tontinha. Cedo percebemos que não é assim, pois de parva tem pouco. Consciente de que é uma pessoa ingénua e pouco viajada, não deixa de fazer observações muito pertinentes e é ladina, o que me diverte bastante.

O tom fresco e jovem da narrativa condiz com a idade de Sookie, que sonha apaixonar-se e quer viver a vida, não se coíbe de debitar opiniões e tem algo a dizer sobre tudo o que se cruza no seu caminho (e se há muita coisa a acontecer: assassinatos, vampiros, metamorfos, telepatia, é só escolher!). Conheço fãs masculinos dos livros mas a grande maioria são mulheres, que se identificam com a forma directa de ser de Sookie e vibram com as suas peripécias.

«Desde que os vampiros tinham saído do caixão dois anos antes (como se costumava dizer com escárnio), esperara que um deles visitasse Bon Temps. Tínhamos todas as outras minorias na nossa pequena cidade. Porque não a mais recente? Porque não os não‑mortos legalmente reconhecidos? Mas o Norte rural do Louisiana parecia não ser muito apelativo para os vampiros. (...) Mas eu continuava à espera (...)

A vida de Sookie muda quando o seu desejo se realiza e um vampiro entra no bar onde trabalha. Isto marca o início das aventuras e desventuras da nossa heroína. Sookie vive no Louisiana dos dias de hoje, num mundo que está a refazer-se de um choque recente: os vampiros existem, assumiram a sua existência e querem viver socialmente entre os humanos. Isso dá origem a situações caricatas e dramáticas, que inevitavelmente envolvem Sookie e a pequena cidade de Bon Temps.

Apesar de ter visto a série primeiro, não achei que estragasse a leitura dos livros: a série não segue fielmente o original, omitindo personagens e alterando situações e a acção principal. Claro que depois de ver a série é difícil dar outra face e corpo às personagens que vemos na série (até porque os actores foram bastante bem escolhidos). Gosto principalmente da dinâmica do livro e da perspicácia e humor de Sookie, que parece entender bastante bem a natureza humana e é mordaz na leitura de várias situações.


Sangue Fresco é uma leitura verdadeiramente viciante e saber que há mais de uma dezena de livros à espera (a saga deverá acabar com o livro n.º 13, diz a autora, Charlaine Harris) é aliciante.

A editora tem disponível um largo excerto da obra no site (67 páginas), que recomendo a quem ficou curioso em ler as aventuras de Sookie
.

29 de setembro de 2012

Friday night in Beast House

Autor: Richard Laymon
Género:
Terror

Idioma:
Inglês
Editora: Headline
Páginas: 154
Preço: 10€ / £7
ISBN:  978-0755337651



Avaliação:
* (a evitar)

Friday night in Beast House é o primeiro livro que leio de Richard Laymon, um dos expoentes do terror splatterpunk, caracterizado pelas descrições gráficas de violência e gore, em oposição ao terror psicológico.

Este título é o quarto (e último) da colecção Beast House, em que cada livro se lê autonomamente. Trouxe-o porque era o menos volumoso dos 4, o que numa introdução a um autor novo creio ser o mais sensato.

Assim, nem sequer prestei especial atenção ao resumo: Mark está obcecado pela colega Alison e sonha acordado com ideias de romance entre os dois. Quando arranja coragem para a convidar a sair, a jovem tem uma condição: tem de ser na mítica Beast House, uma casa-museu onde aconteceram crimes macabros e se faz a reconstituição dos mesmos. A ideia é o encontro ser depois da casa fechar... com eles lá dentro.

Eu devia ter desconfiado dum argumento tão juvenil, mas um autor elogiado por Stephen King e 154 páginas não representava um grande esforço e quiçá que reviravoltas teria a história. Não teve muitas.

Assim que comecei a ler as primeiras páginas, tive de voltar atrás para me certificar o ano do livro: 2001. Como é possível que um livro de terror de 2001 pareça tão datado e superficial nas descrições? Os livros juvenis têm maior profundidade, apesar de ser claro que Laymon, com este livro, está a fazer pontaria a rapazes ou jovens adultos.

O nosso narrador, Mark, afinal tem 16 anos e as hormonas aos saltos. Parte do livro é passado a descrever as sensações que cada mulher atraente que se cruza com ele lhe provoca e a queixar-se disto ou daquilo (típico adolescente). A acção é pouco desenvolvida e o final é... mau.


A
minha idade de ler estes livros já passou há mais de uma década mas como adepta da literatura de terror e fantástico, quis experimentar um autor tão famoso dentro do género. Não fiquei impressionada, pelo contrário, apesar de não esperar grande coisa à partida. A voltar a ler algo de Laymon, terá de ser uma história mais elaborada, pois esta não encheu qualquer medida (salva-se o facto de ter lido o livro em poucos dias, não se perdeu grande coisa).

Um autor a evitar para quem prefere um terror mais adulto e elaborado, com temáticas mais complexas (leia-se Stephen King, TED Klein, Peter Straub).

13 de setembro de 2012

Sputnik meu amor


Autor: Haruki Murakami
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Casa das Letras
Páginas: 238
Preço: € 13
ISBN:  978-9-72-461582-0
Título original: Sputnik sweetheart

Avaliação: *** (mediano)


Há que tempos que andava para ler o mui famoso Murakami. Como o autor tem livros volumosos e porque não sabia se gostaria do estilo, decidi apostar pelo seguro e comprar Sputnik meu Amor, um título com menos de 300 páginas e a preço de saldo num alfarrabista.

O estilo de Murakami é diferente, admito. A história, apesar de não ser genial, é escrita de uma forma muito elegante e os personagens são envolventes; gostamos deles e queremos seguir o seu percurso, como que para compensar a sua sinceridade para connosco (estranho...)
.

O início do romance não é o mais emocionante: o nosso narrador, um professor, está apaixonado pela rebelde Sumire, que está apaixonada pela misteriosa Miu, que é casada mas não está apaixonada por ninguém. As duas mulheres tornam-se amigas e decidem trabalhar juntas; quando passam férias numa ilha grega, a sua relação muda e a leitura torna-se inquietante, com várias reflexões sobre o amor, as relações amorosas e a perda.

«"Na Primavera dos seus vinte e dois anos, Sumire apaixonou-se pela primeira vez na vida. Foi um amor intenso como um tornado abatendo-se sobre uma planície - capaz de tudo arrasar à sua passagem, atirando com todas as coisas ao ar no seu turbilhão, fazendo-as em pequenos pedaços, esmagando-as por completo. (...) A pessoa por quem Sumire se apaixonou, além de ser casada, tinha mais dezassete anos do que ela. E, devo acrescentar, era uma mulher (...) Foi a partir daqui que tudo começou, e foi a partir daqui que (quase) tudo acabou."»

Murakami escreve de uma forma simples mas bonita. Talvez este livro não seja o melhor exemplo da afamada beleza da sua escrita, mas é um bom exemplo de como uma narrativa simples evoca leveza. Sente-se isso nas páginas. Pessoalmente, prefiro uma acção mais dinâmica e intrincada, mas é bom variar.

Irei ler outros títulos de Haruki Murakami, mas não fiquei impressionada
; o final do livro obriga a reflectir, mas preferia ter lido algo mais emocionante e que fizesse juz à fama do autor. Fica para a próxima.

13 de agosto de 2012

A independência de uma mulher


Autor: Colleen McCullough
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Bertrand Editora
Páginas: 384
Preço: € 17
ISBN:  978-9-72-252196-3
Título original: The independence of Miss Mary Bennet

Avaliação: ** (fraco)


Para quem gostou de ler Orgulho e Preconceito (OeP), torna-se natural procurar livros derivados do clássico de Jane Austen. E há muitos, embora os títulos traduzidos em Portugal sejam escassos.

A independência de uma mulher centra-se no patinho feio das irmãs Bennet, Mary, a mesma que no livro original, teve uma dúzia de falas azedas e foi retratada como uma tótó religiosa e anti-social, a quem horrorizavam trivialidades como roupa, bailes e flirts.
Este livro compensa isso, é todo sobre Mary. O facto de ser escrita pela autora de Pássaros Feridos e da saga Roma aguçou-me a curiosidade.

A acção passa-se 20 anos após o final de OeP, e encontramos as quatro irmãs emparelhadas, enquanto a solteirona Mary tem o encargo de tratar da mãe viúva. A matriarca foi mantida afastada da vida social numa casa longe de Londres (e Pemberley) por vontade e sentença de Darcy, que neste livro se revela um tirano calculista da pior espécie, cuja única ambição é a ascensão política.

Mary é a única companhia da mãe, tem 38 anos e ideias bastante diferentes do que lhe conhecemos em OeP. Diferente também está Lizzie, que vive um casamento de fachada com Darcy. Jane é uma máquina de fazer bebés incessante, Lydia tornou-se uma alcoólica libertina e Kitty é uma viúva milionária. Quando a mãe morre, Mary decide viajar pelo país e escrever um relato do drama dos pobres, mas as suas viagens de pesquisa irão colocar em risco a sua própria vida, o que leva a algumas peripécias.

O livro é infinitamente longo, o que seria de louvar se a história fosse deliciosa como Orgulho e Preconceito. Se fosse, porque não o é. Houve momentos
da leitura tortuosos, porque simplesmente não tinha interesse em saber o que aconteceria. Não me vou alongar a falar da deturpação das personagens e do tom melodramático adoptado porque foi um rumo criativo que Colleen decidiu seguir e que poderia ter resultado com outro tema, mas aqui não resultou. Simplesmente, há caminhos que a autora decidiu seguir que são patetas e que não destoariam num romance de cordel; aqui caem muito mal.

Sinceramente, comecei  a ler o livro com bastante entusiasmo, porque pensei que as críticas negativas fossem de puristas de Jane Austen arreliadas, mas as minhas expectativas foram goradas logo nos primeiros capítulos. Fiz ponto de honra concluir a leitura, com alguma esperança que melhorasse, mas conta-se poucas porções interessantes entre muitas chatas e pouco coerentes. Uma pena.

Há uma versão de bolso deste livro, por 9€. Para quem não acredita que possa ser um livro fraco e quiser ler para crer, é uma opção mais em conta
.

29 de junho de 2012

The Diaries of the family Dracul

Autor: Jeanne Kalogridis
Género: Terror
Idioma: Inglês
Editora: Dell
Páginas: 1136
Preço: € 30 (trilogia)
ISBN:  978-0440215431 / 978-0440222699 / 978-0440224426


Avaliação:
***** (muito bom)



Sempre gostei da temática vampírica: adorei o Drácula de Bram Stoker tanto em livro como no cinema. Há muitos clones e derivados, uns muito bons como o livro de Freda Warrington e outros menos conseguidos.

Esta é uma trilogia composta por 3 livros que se conta entre os casos de sucesso:


1 - Covenant with the Vampire
2 - Children of the Vampire
3 - Lord of the Vampires

A história começa com Covenant with the Vampire, e o regresso de Arkady Tsepesh à terra natal, na Transilvânia. Arkady vai assumir as funções do pai como assistente do tio, Vlad, um excêntrico que evita a luz do dia e o convívio com terceiros. À medida que sobrinho e tio vão interagindo, Arkady habitua-se às mudanças de humor do familiar, sem no entanto perceber porque razão Vlad vai parecendo mais jovem a cada dia que passa, à medida que a irmã, Zsuzsanna, vai definhando. A descoberta da verdade vai abalá-lo profundamente. A acção é frenética e é o melhor livro dos três.

No segundo livro, Children of the Vampire, conhecemos Van Helsing, que se alia a Arkady na perseguição de Vlad, que se revelou um homem cruel e cheio de artifícios. Este segundo volume é o mais fraco da colecção mas é essencial para estabelecer a relação entre os livros 1 e 3, superiores em qualidade e interesse.

O desfecho da trilogia, com
Lord of the Vampires, fecha a saga em beleza, onde nem falta Elizabeth Bathory (uma adição vampírica excelente), com Van Helsing a chegar à Inglaterra, determinado a exterminar Vlad. A autora consegue fazer habilmente a ponte com vários acontecimentos do clássico Drácula, com personagens familiares com o Dr. Seward, Quincey Morris e Lucy.

A trilogia é uma mistura emocionante de terror, suspense e temas góticos, muito bem imaginado e aliciante. As origens de Vlad e a existência dos vampiros, com as suas forças e pontos fracos, estão bem pensados e credíveis. A história é contada sob a forma de diário das personagens principais, limitada ao ponto de vista de quem conta mas interessante pela diferença de personalidades e ideias.

The Diaries of the family Dracul entretém bastante e como dark fantasy é muito bom. A autora não se limitou e há sangue, sexo e traição a potes, ou não houvessem vampiros ao barulho, vampiros sanguinários, sedentos de "viver" e experimentar, não betinhos.

Para quem gosta do tema, é uma trilogia obrigatória, uma jóiazinha por editar em Portugal, porém só acessível a quem saiba inglês acima do mediano.

4 de junho de 2012

Morte no Nilo

Autor: Agatha Christie
Género:
Policial

Idioma: Português
Editora: Edições Asa
Páginas: 270
Preço: € 10
ISBN:  978-9-72-414170-1
Título original: Death on the Nile

Avaliação: ***** (muito bom)


Sou fã de Agatha Christie desde a adolescência. A razão principal é que adoro Hercule Poirot, o detective belga com cabecinha de ovo criado pela Dama do Crime; Morte no Nilo é dos melhores (e mais famosos) mistérios de Christie e, claro, tem o Poirot.

O livro, publicado no final de 1937, passa-se no Egipto, num cruzeiro no Nilo. A bordo estão os recém-casados Linnet e Simon, que são perseguidos por Jacqueline, a quem Linnet "roubou" o namorado, agora seu marido. Linnet é rica, atraente, elegante e cultiva muitas inimizades, algumas das quais se encontram a bordo do mesmo cruzeiro. Quando a milionária aparece morta no seu camarim, os suspeitos são mais do que muitos e a inteligência e raciocínio de Poirot voltam à berlinda, num dos crimes mais elaborados de que há memória.
 

Morte no Nilo tem um enredo emocionante e sem falhas; como policial, é perfeito. O crime está muito bem imaginado, toda a acção até e além-crime é imaginativa. Em 1978, o livro foi adaptado ao cinema e tornou-se um clássico. As interpretações de Mia Farrow e Angela Lansbury são fantásticas, embora Ustinov não seja o meu Poirot de eleição.

Uma boa leitura para desfrutar nestes dias quentes.

24 de maio de 2012

As Serviçais


Autor: Kathryn Stockett
Género:
Romance

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 464
Preço: € 17
ISBN:  978-9-89-637254-5
Título original: The help

Avaliação: ***** (muito bom)


Finalmente li As Serviçais; já o tinha há mais de um ano na estante à espera, mas outros livros passavam-lhe à frente. Excelente leitura, valeu bem a pena a espera.

O cenário é Jackson, Mississippi, onde, na década de 60, ainda não chegou a modernidade. Quer dizer, o vestuário, os penteados e a maquilhagem em voga são seguidos e copiados, mas os direitos humanos ficaram pelo caminho. Em Jackson, ser negro é ser menos que ser branco, é não ter voz; caso alguém discorde do curso "natural" das coisas, não há quem hesite em recorrer à violência, saldando-se casas incendiadas, membros partidos e até homicídios.
Os activistas que ali vivem, independentemente da cor da pele, são compreensivelmente discretos e em número reduzido.

Ao longo das 400 e muitas páginas, temos 3 narradoras: as criadas Minny e Aibeleen e a aspirante a escritora Skeeter. Juntas decidem tentar mudar mentalidades, contando o outro lado da história: o lado dos oprimidos. Skeeter tem noção que o seu valor como ser humano se deve à educação que recebeu da criada da família, Constantine. Aibee e Minny pertencem a gerações distintas mas são as melhores amigas e amparam-se em tudo, servindo senhoras diferentes.

«A Minny é praticamente a melhor cozinheira de Hinds County, talvez de todo o Mississípi. A festa de beneficência da Liga Júnior é todos os outonos e pedem-lhe que faça dez bolos de caramelo para leiloar. Devia ser a criada mais procurada de todo o estado. O problema é que a Minny tem boca. É sempre respondona. Um dia é com o gerente branco do armazém Jitney Jungle, no dia seguinte é com o marido e todos os dias é com a senhora branca para quem trabalha. Se está com a senhora Walters há tanto tempo é por ela ser surda como uma porta.»

Aibee é uma mulher mais velha, sensata e sensível. É uma mulher maternal, que se dedica intensamente ao seu trabalho e às crianças brancas de que cuida. Já Minny é uma espalha-brasas, constantemente enrascada por ser respondona e inoportuna, o que traz problemas acrescidos quando se é negra. Skeeter é branca mas atinge o limite quando é ostracizada por não alinhar pela opinião comum. Este trio complementa-se e, pela sua voz, conhecemos uma realidade que hoje é impensável.

O livro tem momentos comoventes e alterna entre acontecimentos felizes e negros, inerentes à condição humana, numa
história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza, mas com muita força. A autora contou numa entrevista que o livro foi rejeitado 60 (!) vezes antes de ser editado; ainda bem que alguém lhe reconheceu potencial pois é uma história inspiradora e inspirada.

Há um excerto do livro disponível aqui. O realizador Tate Taylor adaptou-o ao cinema em 2011 e eu já botei faladura sobre ele no bué de fitas)
.

7 de maio de 2012

A casa secreta

Autor: Nicci French
Género: Policial/Thriller
Idioma: Português
Editora: Quetzal
Páginas: 324
Preço: (aprox.) € 7
ISBN:  978-9-72-564483-6
Título original: The safe house

Avaliação: *** (mediano)

Nicci French é o pseudónimo do casal de autores Nicci Gerrard e Sean French, que se especializaram na escrita de policiais e thrillers. Em Portugal, têm vários dos seus livros traduzidos; depois d'O mundo dos vivos, este é o segundo que leio deles.

Em A casa secreta, seguimos a vida de Samantha Laschen, uma médica especialista em perturbações de stress pós-traumático. Farta do rebuliço londrino, Sam muda-se com a filha, Elsie, para a região costeira de Essex. Porém, a sua nova casa está longe de ser o esperado refúgio. Justamente por ser isolada, torna-se o local escolhido pela polícia para refugiar Fiona Mackenzie, uma jovem que sobreviveu a um ataque brutal que vitimou os pais. Assim matar-se-iam dois coelhos de uma só cajadada: esconder Fiona dos jornalistas e reabilitá-la pelo trauma que sofreu com a ajuda de uma especialista na área.

A história é interessante de seguir, embora os capítulos iniciais relatem mais a perspectiva da polícia do que a da Dr.ª Sam Laschen, que ocupa o grosso do livro. Assim que as circunstâncias do ataque a Fiona é descrito a fundo, focamo-nos na sua relação com Sam e a filha Elsie, que aprendem a viver como uma família na casa de Essex. Há mais sub-enredos na história, além da relação entre Sam e Fiona; aliás, há coisas a mais para pouco mais de 300 páginas, na minha opinião: a relação amorosa turbulenta entre Sam e Danny, a forma insultuosa como a investigação policial é conduzida, com as autoridades a espelharem uma apatia e incompetência gritantes e os problemas da protagonista com o seu novo chefe; é muita coisa ao mesmo tempo.

O que acontece nos capítulos finais, é que a acção passa à velocidade de cruzeiro, com a revelação do autor do crime contra Fiona e os pais assim como de muitos pormenores sobre várias personagens, alguns menos previsíveis, o que é bom. Mas o que mais desilude é o final aberto, feito para deixar um sentimento de inquietação mas que me deixou desapontada (sou uma fã de agatha Christie, gosto de tudo arrematado no final)
, o que é uma pena, visto que A casa secreta tem todos os ingredientes para ser um thriller excelente... não tivesse ficado pendente na resolução.

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