26 de julho de 2011

A fúria dos reis

Autor: George R. R. Martin
Género:
Fantasia

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 480
Preço: € 19
ISBN:  978-9-89-637026-8 
Tradução: Jorge Candeias
Título original: A clash of kings

Avaliação:
*****
(muito bom)


Este título é o 3.º livro d'As Crónicas de Gelo e Fogo, a saga apaixonante do americano George R. R. Martin que está a ser adaptada ao pequeno ecrã, com uma 1.ª temporada fantástica.

Na versão original, o título deste livro é A clash of kings, com 741 páginas num único volume; em Portugal, dividiram-no em dois: A fúria dos reis e O despertar da magia.

A história prossegue com um cometa vermelho a cruzar os céus; os Sete Reinos encontram-se em guerra, com um rei (Joffrey) no trono de ferro, em Porto Real, e 3 pretendentes ao trono (Renly, Stannis e Robb). Todos os sábios e fidalgos vêem no fenómeno um significado conveniente àqueles que servem. O povo começa a sentir a fome e a privação resultante de um reino em guerra.


Do outro lado do mundo, Daenerys alimenta e cuida dos seus dragões, abandonada por muitos dos seguidores de Khal Drogo mas decidida na sua ambição de reclamar o título que é seu de direito. A norte, a Patrulha da Noite averigua o que se passa nas terras para lá da Muralha, onde forças desconhecidas começam a manifestar-se.

Não faltam intrigas, conspirações e os habituais jogos de poder. O ódio entre as várias Casas está ao rubro e as facções dividem-se, numa luta pela desenfreada por riquezas e títulos nobiliárquicos.

A saga continua extremamente viciante; para ajudar, depois de um hiato de 6 anos, o autor lançou mais um aguardado título.

Está disponível para leitura um excerto bastante extenso (115 páginas) d'A fúria dos reis, no site da editora.

21 de julho de 2011

A choir of ill children



Autor: Tom Piccirilli
Género:
Gótico

Idioma: Inglês
Editora: Bantam
Páginas: 240
Preço: € 9
ISBN:  978-0-55-358719-7

Avaliação:
**** (bom)

A choir of ill children relata uma história bizarra, passada em Kingdom Come, uma cidade decadente rodeada por pântanos e lodaçais.

O nosso narrador é Thomas, dono da única unidade industrial da cidade, que vive numa mansão decrépita com os três irmãos, trigémeos siameses unidos pela cabeça, que partilham o mesmo cérebro e usam a mesma boca para exprimir as suas diferentes personalidades.


Odiado e temido pelos habitantes de Kingdom Come, Thomas cuida dos irmãos e do negócio da família o melhor possível. Até ao dia em que começa a ser assombrado por visões do passado, que o levam a questionar sobre aquilo que o rodeia e a encontrar um sentido para a morte da mãe e o desaparecimento do pai.

O ponto mais forte do livro é que é altamente atmosférico e contém alguns pormenores originais deliciosos. O cenário de uma cidade pequena com habitantes peculiares, cheios de superstições, é contrabalançado pelo tom lúcido de Thomas, um tipo aparentemente normal com alguns esqueletos no armário.

Nunca li um livro igual a este e recomendo-o vivamente, pela originalidade e pela mistura habilmente doseada de terror e mistério. As primeiras dezenas de páginas são muito boas, cheias de sumo e interesse. Porém, a segunda metade do livro arrasta-se e algumas situações são fantasiosas ao ponto de se quebrar o interesse e termos de nos obrigar a acabar o livro.

Grotesco e original, desilude um pouco pela quebra abrupta de ritmo e pelo final algo atabalhoado, mas vale a pena.

12 de julho de 2011

Vínculo de sangue



Autor: Patricia Briggs
Género:
Fantasia Urbana
 

Idioma: Português
Editora: Saída de Emergência
Colecção: Bang!

Páginas: 304
Preço: € 16
ISBN:  978-9-89-637300-9
Título original: Blood bound

Avaliação:
**** (bom)

Vínculo de sangue é o volume 2 da série Mercedes Thompson, depois de O Apelo da lua.

Mercy Thompson é uma mulher determinada e aventureira, que divide o tempo entre a sua oficina automóvel (é mecânica) e convivendo com os seus amigos humanos e não humanos. Mercy é uma caminhante (walker), podendo alternar entre a forma humana e a de um coiote
.
 

Não passou muito tempo desde a acção do primeiro livro e há um seguimento lógico: os lobisomens deram a conhecer a sua existência ao mundo (as fadas já se tinham revelado há anos atrás) e a narradora, Mercy, referencia alguns acontecimentos passados para situar o leitor. Entretanto, os vampiros continuam reticentes em revelar a sua existência, pois é difícil os humanos sentirem empatia por seres que sobrevivem bebendo o seu sangue.
 

O 1.º livro da série focou-se no universo dos lobisomens e este 2.º volta-se para o mundo dos vampiros. Stefan procura Mercy para lhe pedir ajuda a encontrar e confrontar um feiticeiro que se mudou para as Tri-cidades. Como são amigos e Mercy lhe deve um favor, ela aceita ajudar o vampiro.  
 

É o começo de mais uma aventura, com o feiticeiro a revelar-se um poderoso demónio, capaz de dominar vampiros e lobisomens. Começa uma verdadeira perseguição, que força a alianças entre os seres para deter o adversário comum.

Gostei mais deste livro, apesar d'O Apelo da lua também ser bom. A história é mais complexa e intrigante, e a introdução de novos personagens torna-a mais dinâmica. A acção continua emocionante, com Mercy a confirmar-se uma protagonista espevitada e com piada, que gere com habilidade as suas relações com as várias criaturas sobrenaturais com que convive (o colega de quarto lobisomem, o ex-patrão fada que ajuda na oficina quando é preciso, o alfa da matilha local que se anda a fazer ao piso, etc.). Os diálogos e a interacção entre personagens são bastante engraçados, com a heroína a fazer jogos de cintura e palavras para conseguir lidar com todos da melhor maneira.

Vou continuar a seguir a série; gosto dos personagens e os livros são divertidos.

7 de julho de 2011

Instrumentos da noite





Autor: Thomas H. Cook
Género:
Policial

Idioma: Português
Editora: Ulisseia
Páginas: 276
Preço: € 15
ISBN:  978-9-89-637257-6
Título original: Instruments of night

Avaliação:
**** (bom)

Instrumentos da Noite é referenciado como «a obra-prima que acontece uma vez na vida»; eu encontrei-o por acaso, num dos meus raids às prateleiras de um hipermercado.

O escritor de policiais Paul Graves vive atormentado, desde criança, pelas mortes trágicas da irmã e dos pais. A morte destes últimos foi causado por um acidente de viação, mas a irmã foi assassinada. Graves recria vezes sem conta, nos seus policiais, o bárbaro crime contra a irmã; o seu protagonista, o detective Slovak, persegue sem descanso o maléfico Kessler, que soma no seu currículo um ror dantesco de mocinhas mutiladas e assassinadas com requintes de malvadez.

Com quase 40 anos, e a ideia de suicídio sempre omnipresente em tudo o que faça, o escritor é desafiado para uma tarefa pouco ortodoxa: imaginar a solução de um crime por resolver, ocorrido em 1946. A vítima, Faye Harrison, de 16 anos, era apontada como um anjo, uma menina bondosa e pacífica. A mãe de Faye nunca recuperou e a “solução imaginada” serve somente para acalmar uma idosa já senil e muito fragilizada. Pelo menos é essa a fachada, pois muitos foram aqueles afectados pelo acontecimento e sobrevivem ainda… como potenciais suspeitos.


«A luz apenas escurece o que já é obscuro.» (Detective Slovak)


À medida que Paul Graves se lança na investigação de um caso com mais de cinquenta anos, as aparências vão mudando e todas as camadas de inocência vão desaparecendo.


É um livro muito intenso,
bem escrito, impossível de pousar.

Um dos melhores policiais que já li.


4 de julho de 2011

M*rdas que o meu pai diz

Autor: Justin Halpern
Género: Humor / Não Ficção
Idioma: Português
Editora: Pergaminho
Páginas: 168
Preço: € 13
ISBN:  978-9-72-711999-8
Título original: Sh*t my dad says


Avaliação: **** (bom)

Justin Halpern, o autor de M*rdas que o meu pai diz viu-se, aos 28 anos, desempregado e abandonado pela namorada de longa data; não demorou muito até se ver obrigado a voltar para casa dos pais.


A relação em casa sempre foi boa, embora o pai do autor, Sam, seja um tipo invulgar: médico reformado, sempre foi uma pessoa directa com uma forma extremamente pragmática de ver a vida... e tudo o resto. O livro conta episódios-chave da infância, adolescência e vida adulta do autor, com muitos ditos do pai que, apesar de asneirento, tem, não raramente, uma lógica imbatível.

(sobre a democracia) «Vamos jantar peixe. (...) Como queiras, vamos votar. Quem quer peixe para o jantar? (...) Pois é, a democracia perde a piada quando te lixa, não é?»


A ideia para o livro surgiu quando o autor começou a publicar, na sua página de twitter, as coisas que o pai dizia; os seguidores não pararam de aumentar e não tardou que um editor somasse 2+2. Entretanto, surgiu a adaptação televisiva; em Portugal, a sitcom é emitida no canal Sony Entertainment, com o nome As parvoíces do meu pai. Já vi um par de episódios e é engraçado, fiel ao espírito (mas não à letra) do livro.

M*rdas que o meu pai diz é uma leitura rápida (não chega a 200 páginas) e bem-humorada, pontuada por algumas gargalhadas sonoras. O pai do autor é um tipo duro mas que adora a família e defende-a (mesmo quando é o primeiro a dar a alfinetada ou a opiniar mesmo que ninguém lhe pergunte), proporcionando situações caricatas. Se é tudo verdade ou se há alguma ficção, não há forma de saber mas isso não lhe tira a graça.


Ligeiro, é o livro ideal para oferecer, sendo garantido que vai passar de mão em mão por amigos e família, jovens e mais velhos.

(sobre ter um cão) «Quem é que vai tratar dele? Tu? (...) Filho, ontem chegaste a casa com merda nas mãos. Merda humana. Não sei o que aconteceu, mas se alguém tem merda nas mãos, é um indicador que talvez a cena de responsabilidade não seja o seu forte.»

(sobre os legos) «Ouve, não quero desencorajar a tua criatividade, mas aquilo que construíste ali parece um monte de merda.»
(sobre partilhar) «Lamento, mas se o teu irmão não quer que brinques com as porcarias dele, não podes brincar. As porcarias são dele. Se ele quer ser um idiota e não partilhar, está no seu direito. Temos sempre o direito de sermos idiotas... Só não devemos usá-lo muitas vezes.»

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